Fonte da imagem: Flickr.

Maringá (PR) é uma cidade do interior paranaense e sua atividade preponderante é a agricultora. Por esta razão existe uma forte identificação dos jovens com o mundo “country”. O jornalista Alexandre Garcia diria que a expressão “country” é utilizada aqui no Brasil, enquanto os americanos preferem a expressão “caipira”.

É interessante perceber a forma que alguns jovens e adultos maringaenses se identificam com elementos totalmente alheios à cultura e à realidade brasileira e se apropriam como se fosse uma tradição a ser mantida. Os exemplos são diversos, a saber:

No trânsito maringaense, sempre encontramos camionetes de grande porte que nunca andaram em uma estrada de terra dirigidas por garotos vestidos de chapéus, botas, calças jeans importadas e uma indefectível fivela na cintura.

Percebe-se, obviamente, que estes jovens estão visceralmente ligados ao mundo rural. Imagino que muitos destes jovens acreditam que frequentar uma chácara distante mais de dez quilômetros de seu apartamento no centro da cidade fazem deles um autêntico caipira. Provavelmente, o único contato deste tipo de jovem com o mundo rural advém do leite longa vida que as empregadas preparam em seu café da manhã.

A temática da maioria (quiçá até a totalidade) das boates e bares de música ao vivo de Maringá é exclusivamente a música sertaneja. Quando alguma boate resolve inovar, surgem curiosas variações sobre o mesmo tema: sertanejo universitário, sertanejo eletrônico, viola sertaneja, sertanejo acústico etc… Vive-se uma ditadura do sertanejo. Lamentavelmente, pessoas que gostam de um estilo musical diferente do sertanejo (e suas variações) ficam sem opções de vida noturna em Maringá.

Entretanto, há um grande perigo nisto tudo. Se a moda “country” maringaense se restringisse aos carros, às roupas, ao sotaque com erre puxado e a música, Maringá continuaria sendo uma bela cidade brasileira. Ocorre que alguns maringaenses acreditam que, para mostrar seu vínculo com o mundo rural,  deve-se falar errado.

É um festival de “nóis vai”, “compricado”, “nóis fumo”, “espiculá”, “nóis é”, “fio”, “fia”, “porcurá”, “as panela”. E acreditem, as pessoas que falam assim, sabem muito bem que o correto é “nós vamos”, “complicado”, “nós fomos”, “especular”, “nós somos”, “filho”, “filha”, “procurar” e “as panelas”. Mas, sabe-se lá o porque, optam por falar errado, pois acreditam que assim fazendo, estão trazendo alguma autenticidade ao que é dito.

Apresentadores de televisão falam assim. Estudantes, empresários. Se estas pessoas em algum momento receberam o diploma de ensino médio, eu afirmo: Não mereceram! Jornalistas, Colunistas Sociais, Advogados. A valorização da ignorância atinge qualquer classe social.

Lamento pela escolha das pessoas que aqui foram retratadas. Se, ao invés de jovens de chapéu, bota, fivela e camisa xadrez falando português errado tivéssemos jovens de chapéu, bota, fivela e camisa xadrez utilizando a educação recebida nas escolas, já estaríamos bem melhor do que hoje nos encontramos.

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O Brasil possui autênticos caipiras, que lamentavelmente se encontram jogados ao ostracismo. Selecionei alguns, dentre eles, o caipira da foto acima. Para saber mais, cliquem aqui, aqui e aqui.

Luiz Vieira

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